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As contradições da delação premiada de Léo Pinheiro tem sido denunciadas sistematicamente pela defesa de Lula desde que o executivo da OAS resolveu mudar o seu depoimento ao mentir que o triplex pertencia ao ex-presidente, além de associá-lo a crimes da Petrobras.

Neste domingo (30), dois anos após o depoimento, veio à tona a prova incontestável (parte da série de denúncias feitas pelo The Intercept e pela Folha de S. Paulo) de que o delator só mudou o depoimento para ganhar crédito com os procuradores da Lava Jato e, em troca, teve sua pena reduzida em 70%.

De quebra, ainda permitiu que o caso caísse nas mãos do ex-juiz Sérgio ao dizer (sem apresentar qualquer materialidade) que o ex-presidente estava envolvido nos escândalos da petroleira brasileira.

Como se sabe, o próprio Moro reconheceu na sentença que Lula não se beneficiou dos desvios da Petrobras e a delação de Pinheiro jamais foi homologada pelo Supremo Tribunal Federal, duas arbitrariedades impossíveis de ser aceitas em julgamentos sérios e sem contaminação política.

E mais: Moro, como já denunciaram centenas de juristas, nunca foi o juiz natural do caso.

A nova reportagem apresenta conversas entre os procuradores da força-tarefa em Curitiba que estavam muito reticentes em relação ao depoimento da principal testemunha de acusação contra o ex-presidente Lula. Mas Léo Pinheiro estava com medo de ser preso, pois já tinha sido condenado em um processo da Lava Jato, mas recorria em liberdade.

Cronologia dos fatos

Em junho de 2016, Pinheiro não tocou no nome do ex-presidente para explicar os acordos ilícitos entre a construtora e políticos o que, segundo informações levantadas na época pela Folha de S.Paulo, o que levou seu acordo de delação a ser recusado pela justiça de Curitiba.

Poucos meses depois, em agosto, a procuradoria pediu por nova prisão de Léo Pinheiro.

Em novembro, Pinheiro novamente negou que o ex-presidente seria dono da apartamento, e sua pena foi aumentada em dez anos.

Somente em abril de 2017,quando o executivo finalmente incriminou Lula, viu sua pena ser reduzida e sua delação aceita pelos procuradores da Lava Jato.

Da Redação da Agência PT de Notícias com informações da Folha de S. Paulo