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Nesta quarta-feira (14), Lula será ouvido em Curitiba pela juíza Gabriela Hardt, substituta de Moro, sobre um processo relacionado a um sítio em Atibaia (SP). O juiz ministro de Bolsonaro saiu de férias, mas continua exercendo influência no litígio e tenta emplacar mais uma vez a estapafúrdia teoria de que o imóvel é do ex-presidente, ainda que não haja nenhum registro ou escritura no nome de Lula.

Os advogados argumentaram insistentemente, ao longo do processo, que o sítio da Atibaia tem proprietários conhecidos, “que constam na matrícula do imóvel e que provaram a utilização de recursos próprios e lícitos para a compra do bem, e, ainda, que suportam despesas de sua manutenção”. Para Moro, no entanto, não importou. Só vale sua própria convicção política, o que é incompatível com a atuação de um juiz, segundo a Lei da Magistratura.

Moro e sua máquina de guerra contra Lula

Moro sempre foi flagrantemente parcial para julgar Lula. Desde 2014, ele tenta influenciar eleições. Na disputa entre a presidenta Dilma Rousseff e Aécio Neves, o juiz vazou grampos telefônicos de uma conversa da presidenta com Lula, violando a legislação. Tanto que ele precisou se justificar e negou que tivesse interesses políticos, o que agora se evidencia.
No pleito deste ano, Moro autorizou a divulgação de trechos de um acordo de delação premiada, invalidado pelo MPF, de Antônio Palocci, ex-ministro de Lula e Dilma, faltando seis dias para o primeiro turno das Eleições, mesmo período em que negociava com Bolsonaro o cargo de ministro.

O líder do PT na Câmara, Paulo Pimenta, lembrou que o caso do sítio é outro “absurdo” de Moro, pois teria que tramitar na Justiça no interior de São Paulo, já que não tem nada a ver com a Petrobras, o pivô da Operação Lava Jato. Pimenta destacou que inúmeras testemunhas inocentaram o ex-presidente. “Não há qualquer prova contra Lula, o que há é a necessidade permanente de Moro de atacar a honra do ex-presidente e desconstruir sua trajetória política”, denunciou o líder do PT.

Após Moro confirmar que foi cabo eleitoral de Bolsonaro, ao aceitar o cargo de ministro, o ex-ministro da Justiça Eugênio Aragão fez duras críticas a movimentação de Moro. Aragão lembrou que o mesmo juiz que condenou o ex-presidente, inabilitando-o a participar de um processo eleitoral em que o petista era favorito a vencer ainda no primeiro turno, é aquele que ocupará o cargo de ministro da Justiça de Jair Bolsonaro a partir de 1º de Janeiro de 2019.
“Isso apenas confirma tudo o que a gente disse até hoje, de que verdade ele não era juiz. Ele estava atrás de uma vantagem pessoal para sua carreira, cultivando a sua vaidade e, na verdade, chegou onde ele queria chegar”, afirmou Aragão.

Da Redação da Agência PT de Notícias, com informações do Uol